ARGUMENTO
Arrepio
Ana Paula, Cássia, Julia, Tadeu e Felipe chegam na casa de campo de Beto e Camila, uma cabana isolada nas montanhas, a 180 km de São Paulo. Recém-comprada pelo casal, a cabana é o cenário perfeito para mais um encontro anual do evento “Arrepio”, onde os amigos passam o fim de semana falando de cinema e assistindo a filmes de horror, uma paixão compartilhada por todos. Os sete amigos se conheceram na faculdade de cinema e se auto-intitulam “os sete do apocalipse”, em alusão aos filmes do gênero.
Enquanto carregam suas malas e sacolas, a pequena, porém charmosa, choupana de Camila é preenchida com felicitações pelo reencontro e trocas de impressões sobre as estradinhas de terra e a paisagem local. Camila informa que Beto, seu marido, saiu para comprar vinho, e apresenta Aldo, primo de Felipe, que, segundo a piada de Tadeu, será o “oitavo cavaleiro do apocalipse” deste ano. Julia, um pouco menos amistosa, reclama da falta de sinal de internet, e Camila lembra que o técnico que deveria instalar a internet não veio.
Pouco tempo depois, Tadeu, Julia, Ana Paula, Cássia e Aldo discutem filmes de terror clássicos dos anos 70 e 80, enquanto Felipe, o caçula da turma, tenta assustá-los de maneira brincalhona. Camila recolhe os celulares de todos, como parte da ritualização do evento, para guardá-los numa mochila. Julia brinca, dizendo que Camila nunca fica sem dar uma espiadinha no celular para saber das crianças. Cássia brinca com Ana Paula, dizendo que ela “não vai conseguir ficar sem tirar selfie até domingo”, ao que Ana Paula responde que com Cássia só precisa de “couple”.
Após um pequeno tour pela cabana, adornada com ornamentos e relíquias do cinema de suspense e horror, Ana Paula, recém-saída de um banho quente, exibe passos de ballet pela sala, lembrando seus quinze anos de prática, motivada por Tadeu, que faz uma alusão espirituosa ao clássico “Suspiria” de Dario Argento.
Com todos mais acomodados, Felipe está prestes a contar sobre a refilmagem do final do filme que assistirão, quando Julia interrompe, perguntando se já podem começar a sessão. Camila responde que, apesar da ausência de Beto, podem iniciar o filme, pois ele já o assistiu. O clássico escolhido para este ano é “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” de José Mojica Marins. Após uma breve introdução de Felipe, alguém coloca o DVD e todos se acomodam para assistir. Felipe, em uma tentativa frustrada de assustar Julia com um tridente decorativo, derruba um copo de líquido no colo dela, provocando sua ira.
Poucos minutos após o início do filme, Camila decide ligar para Beto, preocupada com sua demora, mas percebe que o celular dele está ali com os dos outros. Ela volta para a sala, aflita, e Ana Paula pergunta se está tudo bem. Durante a exibição, Aldo cutuca Julia dizendo que conheceu Mojica, mas ela reage com desdém. De repente, a energia cai. “Isso acontece aqui de vez em quando!” diz Camila diante do coro de reclamações. Camila, Cássia e Tadeu vão até a caixa de força, mas tudo parece normal. Desestimulados por Camila, voltam para a sala e comem os hot dogs preparados.
Com o ambiente iluminado por velas, todos conversam sobre cinema, enquanto Ana Paula faz passos de dança. Tadeu, notando a demora de Beto, pergunta a Camila se algo poderia ter acontecido. Ela admite uma discussão feia com o marido pela manhã, após a qual ele saiu com o carro. Tadeu se oferece para procurá-lo, mas Camila insiste que comecem a “hora do arrepio”. Trata-se do momento final ritualístico do encontro, em que um dos amigos narra um conto de terror. Este ano, Felipe, o ator do grupo, é o narrador. Todos se animam e a sessão começa.
Sem que ninguém suspeite, alguém com calças e botas encardidas se aproxima da cabana. Felipe narra “O Homem do Buraco”, uma história que sua madrinha lhe contava, sobre um trabalhador rural que construiu uma casa de bonecas para a filha de seus patrões. Certo dia, o pai da menina encontrou o trabalhador apertando o pescoço da criança. Em um acesso de fúria, o pai martelou a cabeça do trabalhador, matando-o. Mas, ao retornar, encontrou a frase “fogo que arde” escrita com sangue e o corpo desaparecido. A história dizia que o trabalhador havia se transformado em um morto-vivo que assombrava a região.
Julia se assusta com um vulto pela janela e Camila corre até a entrada da casa, esperando ser Beto, mas não vê seu carro. De repente, se depara com ele logo atrás dela, sujo, cansado. Ele conta, com voz embargada, que o carro quebrou e ele teve que seguir a pé, se perdendo pelo caminho.
A escuridão da cabana intriga Beto, e sua chegada é recebida com alegria por todos. Tadeu percebe algo errado com o amigo, e Beto, com olhar fixo em Aldo, pergunta se ele "conseguiu instalar a internet". Camila o apresenta como primo de Felipe, mas este surpreende a todos ao negar a informação e dizer pensar que ele fosse irmão de Camila, gerando confusão entre os presentes. Aldo, desconversando, admite que mentiu sobre sua identidade e que se sentiu acolhido pelo grupo, pelas conversas sobre cinema e pela oportunidade de "navegar junto à mente de cada um".
Ele elogia a história de Felipe, mas discorda do personagem "homem do buraco", afirmando que este não busca as pessoas, mas sim é convidado a entrar em seus sonhos. Felipe, irritado, ordena que Aldo se retire, mas é arremessado contra a parede por um tridente lançado por Aldo com um mero gesto.
O caos se instala: Julia grita, Cássia tenta atacar Aldo, mas é dominada por seu poder telepático. Ana Paula, sob controle de Aldo, dança sensualmente, enquanto Cássia, debilitada, tenta impedi-la. Beto, nos braços de Camila, desfalece e murmura "fogo que arde".
Em um gesto macabro, Aldo arranca e devora o coração de Camila, enquanto declara que "o amor é o bem mais precioso". Ela cai morta. A cabana é tomada por chamas. Aldo se dirige aos sobreviventes, agora seus súditos hipnotizados, e revela o horrível buraco em sua cabeça, que estava escondido por um boné desde o princípio.
A câmera se aproxima do rosto monstruoso do Homem do Buraco, enquanto seu grito terrível ecoa na noite, finalizando a cena de horror.